* Sérgio Mena
Barreto
No início da década
de 90, o Brasil
enfrentava uma
inflação média ao
ano de 764%,
instabilidade
econômica, crises
constantes, recessão
e desconfiança por
parte dos mercados
externos. Foi em
meio a esse período
nebuloso e
turbulento que um
visionário grupo de
empreendedores fez
surgir a Associação
Brasileira de Redes
de Farmácias e
Drogarias
(Abrafarma), em
outubro de 1991. A
entidade nascia sob
as bandeiras do
livre mercado, da
redução de
interferências
regulatórias e do
rigor no atendimento
à legislação. Sempre
envolvida nas
reivindicações do
setor, soube criar
em torno de si uma
aura de
produtividade e
credibilidade
inegáveis.
Pautado por uma
gestão profissional,
atento ao olhar do
consumidor e a
tendências
internacionais, o
varejo farmacêutico
acompanhou com vigor
a evolução da nossa
economia – que
começava a respirar
novos ares em 1994,
com a criação do
Plano Real e a tão
esperada
estabilidade
financeira, que
reduziria as altas
taxas de juros e
acabaria com as
constantes troca de
moedas e cortes de
zeros na economia.
Com o novo cenário
brasileiro, o setor
ganhou forças para
ir além e incutir
novos hábitos entre
a população, fazendo
da farmácia uma
completa e eficiente
loja de saúde.
Em 1995, as redes
associadas à
Abrafarma superavam
a marca dos nove
dígitos e atingiam
faturamento total de
R$ 1,1 bilhão, com
754 lojas espalhadas
por todo o Brasil e
uma cartela de mais
de 125 milhões de
clientes atendidos
em um ano. Bastaram
16 anos para que
elas Abrafarma
progredissem a
passos largos, com
crescimento próximo
de 20% ao ano,
entrada de novos
associados e
crescimento em
vendas de até 20
vezes, beirando hoje
os R$ 20 bilhões
anuais. Este
crescimento
encorpado demonstra
a maturidade do
setor, que comprovou
sua capacidade de
evoluir de maneira
orgânica e perene,
independentemente
das oscilações
econômicas ou de
momentos de
opulência.
Estratégico para a
atividade econômica
nacional, o setor
também se cotizou
para ampliar o
acesso da população
a medicamentos e,
consequentemente, à
saúde de qualidade.
Os anos 2000 foram
pautados pela luta
em prol do
fortalecimento dos
medicamentos
genéricos, pela
criação do programa
Aqui tem Farmácia
Popular na
iniciativa privada e
pela campanha Fim do
Remédio Amargo,
Imposto Zero, que
defendia a redução
da pesada carga
tributária sobre
medicamentos. Todas
essas lutas contaram
com grande
mobilização da
associação.
Paralelamente, na
metade da década, as
grandes redes já
acumulavam
faturamento de R$
5,9 bilhões, com
mais de 1.600 pontos
de venda.
Neste período, a
profissionalização
do setor é uma
realidade. O mercado
farmacêutico segue a
passos largos seu
movimento de
expansão e agora
passa a conviver com
fusões e aquisições.
Um resultado natural
da atividade
econômica nacional
e, mais do que isto,
fruto de uma
estratégia certeira
do varejo
farmacêutico. Com a
crescente demanda,
as grandes redes
buscaram formas de
se capitalizar ainda
mais e ampliar sua
visibilidade. Não à
toa, em 2010 vimos a
fusão da Drogaria
São Paulo com a Rede
Drogão.
Recentemente,
Drogasil e Droga
Raia uniram forças
para se tornarem a
maior rede do País.
E, não será surpresa
se tivermos novas
movimentações nos
próximos anos.
Essas recentes
fusões mostram que o
setor passa por um
amadurecimento e
enxerga, de forma
cada vez mais
nítida, sua extrema
importância para a
economia nacional.
Os números confirmam
o destaque. Em
recente balanço
divulgado em
setembro de 2011, a
Abrafarma superou o
índice de R$ 19,5
bilhões em vendas,
sendo que a
comercialização de
medicamentos
representa 70,2%,
atingindo R$ 13,7
bilhões. Os
indicadores apontam
ainda mais de 615
milhões de
atendimentos e 1,8
bilhão de unidades
vendidas.
Os reflexos dessas
mudanças vêm ao
encontro de uma das
bandeiras da
Abrafarma. A
estratégia de
posicionar a
farmácia e a
drogaria como uma
loja de saúde e
bem-estar, com um
vasto mix de
produtos e serviços
com modelo similar
às melhores
operações de varejo
europeias e
norte-americanas,
conquistou os
consumidores. Já
temos no Brasil
redes de drogarias
de alto nível, com
oferta de serviços e
produtos que nada
fica a dever aos
países mais
desenvolvidos.
A população
brasileira procura
hoje conveniência ao
entrar em uma
farmácia. Nos
primeiros nove meses
de 2011, inclusive,
a venda de não
medicamentos cresceu
26,42% em relação ao
mesmo período de
2010. Esses
indicadores são o
termômetro do
momento atual do
varejo
farmacêutico.
As associadas à
Abrafarma
representam 36% do
setor. Apesar de
contarmos no Brasil
com 65 mil pontos de
venda, 12 mil deles
são responsáveis por
75% das vendas de
todos os
medicamentos
consumidos no país.
Isso é só o começo
para que essa jovem
entidade trilhe por
muito e muitos anos
rumo à modernização
e avanços do varejo
farmacêutico
nacional.
* Sérgio Mena
Barreto é presidente
executivo da
Abrafarma -
Associação
Brasileira de Redes
de Farmácias e
Drogarias